25 julho, 2006

│silhouette│



quem me dera conseguir não pensar em nada,
deambular pela vida sem desejar,
sem projectar fosse o que fosse,
nem querer possuir mais
que a humilde condição de continuar vivo.

talvez sentar-me junto ao mar
e olhar as águas incendiadas,
milhares de aves sobrevoando o cais.
o frio entra pela janela, acorda-me.

não sei o que hei-de fazer com estas visões.

al berto

20 julho, 2006

│umbria│



«largou o telefone e, meio caído da cadeira, vomitou convulsivamente. nému amparou-lhe a cabeça, ajudando-o a recompor-se. obrigou-o a beber água, sentou-se a a seu lado e, enfiando-se nos seus braços, chorou em silêncio.»

al berto

17 julho, 2006

│acrobata│



«acordas com as frases
desfeitas por dentro, deixam
um rasto ao lado das coisas,
não comportam nunca o imponderável,
o silêncio, o pavor que te colhe
quando abres as mãos e
é só pedra o que retêm.»

fernando luís sampaio

│the end│

perdeste o nome como eu há muito perdera a infância. trying to stay awake noite turva pelo tamanho do medo and remember my name tentando lu...