15 março, 2006

│dança│



«não passeies o teu amor rente ao precipício.
guarda-o dos espaços abissais,
das falas minadas pela perda.
são esses os corpos que te ferem o sangue
ainda que te demores neles
um instante apenas.

não toques essa corda.
essa corda traz infortúnio,
rodeia-te de morte,
faz-te descer até onde não podes
pronunicar o teu próprio nome.

não leves o teu amor pela noite.
espera a aurora no teu abrigo ou na tua nuvem.
verás como a primeira claridade é
corda que não desafina.

toca essa corda.»

vasco gato

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