17 dezembro, 2006

│sonoplastia│



nas casas de sol, abrigo simples, silencioso anoitecer,
flor ou folha, espessura branca do crepúsculo.
adormecer um sono verde
para escutar a perfeição do esquecimento.
para renascer em denso azul sobre as pálpebras.
para que tudo caminhe.

boa noite.

14 comentários:

(in)tacto disse...

uma noite resguardada de
ventos abstractos,
demarca uma lua de céu.
debruçar num manto de sonhos.
despertar em maresia.

boa noite :)

imo disse...

escrito sobre
a branca luz da lua,
com uma maré
a espreitar por cima do ombro.
obrigada.

rosa disse...

(...)
Eis o lugar em que o centro se abre
ou a lisa permanência clara,
abandono igual ao puro ombro
em que nada se diz
e no silêncio se une a boca ao espaço.
Pedra harmoniosa
do abrigo simples,
lúcido,unido,silencioso umbigo
do ar.

o teu corpo
renasce
à flor da terra.
Tudo principia.


António Ramos Rosa

rosa disse...

Oiço correr a noite pelos sulcos

do rosto-dir-se-ia que me chama,

que subitamente me acaricia,

a mim,que nem sequer sei ainda

como juntar as sílabas do silêncio

e sobre elas adormecer.

geninho

rosa disse...

adivinha:

"E tocará esse piano
como nesta noite plácida,
não havendo quem o escute,
a pensar, nesta varanda."

imo disse...

...de facto, não me é estranho.
talvez saiba, mas em conhecimento passivo.
pistas? :)

(in)tacto disse...

eu sei! :)
começa por J (não é rosa?) ;)

Luis disse...

vim à procura de um sono verde


pode ser?

imo disse...

plim :) juan ramón jímenez!

imo disse...

o verde em sílabas
escuta a respiração
sossegadamente
de quem voga
na plácida exactidão
do sono.
bom descanso, luís :)

Luis disse...

o google é o maior contribuinte para os plins da humanidade, e gostei de ver que astormentas são medalha de prata

rosa disse...

:-)

Careca disse...

Nem treva nem caos. A treva
Requer olhos que vêem, como o som.
E o silêncio requer o ouvido,
O espelho, a forma que o povoa.
Nem o espaço nem o tempo. Nem sequer
Uma divindade que premedita
O silêncio anterior à primeira
Noite do tempo, que será infinita.
O grande rio de Heráclito o Escuro
Seu irrevogável curso não há empreendido,
Que do passado flui para o futuro,
Que do esquecimento flui para o esquecimento.
Algo que já padece. Algo que implora.
Depois a história universal. Agora.

Jorge Luis Borges


... bom ano ...

imo disse...

o feroz esquecimento atrás dos anos,
dele ficando o silêncio
com que falamos para o futuro.
manhã a manhã.
ano a ano.

bom ano, agora e sempre.