17 maio, 2007

│reciting the ships│



depois da madrugada partida e inerte, plena da intenção vespertina, venho esquecer a esta casa, em postura de silêncio dobrado.

anonimamente recolher rudimentos do chumbo no desejo, revolver as mãos na areia em curvas de pobreza, nas entrelinhas lendo a imperfeita enumeração dos caminhos vulgares.
somente a diuturnidade alheia para tornar coeso o azul mortífero, este vento inominável que ronda os rochedos como um animal selvático em vigia.

a história, a narração.
uma voz além madrugada que desce para mim no fundo de um vale, expectativa dolorosa mas serena, palavras maiores para desfazer o nó silvestre que cresceu nos dias.

06 maio, 2007

│todo um relâmpago inteiro│


segunda pele:
zona de ilusão de experiência.

em placidez, movendo a mão metálica da tempestade
com as lanternas da vanidade
sobre dedos de noite amarga.

primeira pele:
ventos duram coisa nenhuma.

terceira pele:
silêncio cálido tatuando novos ventrículos
e de explosão em explosão empalidecer o escondido insecto.