02 dezembro, 2006

│devagar│

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estou vivo e escrevo sol
eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em fios frescos sobre a minha cara de vivo
estou vivo e escrevo sol

se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever e sol

a vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objectos atiram suas faces
e na minha língua o sol trepida

melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maraviha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde.




ramos rosa.
one night and it's gone, by colleen.

4 comentários:

Hugo Milhanas Machado disse...

(não posso não posso não posso
não posso adiar para outro século
não posso)

HMM

imo disse...

(...o coração
não posso adiar...)

rosa disse...

grito, vertigem, vinho, maravilha.

rosa disse...

;)
em cheio.

(demoro-me devagar nos teus posts.
ainda tenho mais dois à minha espera.)