14 agosto, 2006

│arabesco│





para uma criança morrer
absoluta e cadáver
dão-lhe o inferno para crescer
chamam destino ao que a morte cria
e noite à verdade dos dias
tiram retratos que a morte desfoca
e permitem que se passe entre os mortos.

ninguém se levanta dentro do seu próprio coração.
ou da minha janela não se vê mais nada.
ouve-se o silêncio contra mim
e chove a morte contra os vidros.

ardiam cidades no meu sono
até que o mar queimou o mar
e nada passou a ser tudo.

pedro sena-lino
let's pretend, by tindersticks

2 comentários:

rosa disse...

os tindersticks so evocam coisas mornas. a mim.

imo disse...

penso que os tindersticks se cristalizaram numa identidade. embora essa cristalização possa ser morna, ainda assim acende em mim um pouco de frio reconfortante. mas percebo-te.