07 setembro, 2006

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deus tem que ser substituído rapidamente por poemas,
sílabas sibilantes, lâmpadas acesas, corpos palpáveis,vivos e limpos.

a dor de todas as ruas vazias.

sinto-me capaz de caminhar
na língua aguçada deste silêncio.
e na sua simplicidade, na sua clareza, no seu abismo.
sinto-me capaz de acabar com esse vácuo.

a dor de todas as ruas vazias.

mas gosto da noite e do riso de cinzas.
gosto do deserto, e do acaso da vida.
gosto dos enganos, da sorte e dos encontros inesperados.
pernoito quase sempre no lado sagrado do meu coração,
ou onde o medo tem a precaridade doutro corpo.

a dor de todas as ruas vazias.

sujo os olhos com sangue.
chove torrencialmente. o filme acabou. não nos conheceremos nunca.

a dor de todas as ruas vazias.

os poemas adormeceram no desassossego da idade.
fulguram na perturbação de um tempo cada dia mais curto.
e, por vezes, ouço-os no transe da noite.
assolam-me as imagens, rasgam-me as metáforas insidiosas, porcas...
e nada escrevo.

o regresso à escrita terminou.
a vida toda fodida - e a alma esburacada por uma agonia tamanho deste mar.

a dor de todas as ruas vazias.




al berto

2 comentários:

Luis disse...

a dor de todas as ruas vazias

a dor de todas as ruas vazias

a dor de todas as ruas vazias

a dor de todas as ruas vazias

a dor de todas as ruas vazias

a dor de todas as ruas vazias

a dor de todas as ruas vazias

a dor de todas as ruas vazias

a dor de todas as ruas vazias

a dor de todas as ruas vazias


deus tem que ser substituído rapidamente por poemas.

imo disse...

os poemas de todos os deuses vazios.
sê bem-vindo, luís.