15 novembro, 2006

│a seguir o deserto│



quando a tarde é um exagero que dói na ponta dos dedos
vem uma coluna de pedra ao fundo dos dias.
e aperto com os dedos o silêncio em que estou.

interiormente em busca de um céu concreto.



adaptado de vasco gato.
concrete sky, de beth orton.

4 comentários:

(in)tacto disse...

sem mutismos, um afago de som num espaço de tempo concreto para ti amiga*
porque simplesmente te adoro :)

imo disse...

uma geração de aves sai-me das mãos.
obrigada, amiga :)*

Careca disse...

Toda a gente se admira de que existam ovnis. Mas ninguém se admira de que existam pedras. O maior mistério e inacreditável não está no desconhecido mas no que é bem conhecido. O que é extraordinário não é que se tropeçe e se caia, mas que se ande de pé de manhã à noite sem car. Ou que os astros não choquem sem polícia de trânsito. Ou que simplesmente se coma sem normalmente nos engasgarmos. Ou que não vivamos todos em hospitais e manicómios.
Uma pedra.
Há lá nada mais misterioso e intrigante?
Só é preciso que o mistério seja em nós, para descobrirmos o mistério que está nela.
Mas o que normalmente acontece é que a pedra está em nós.
E como há-de uma pedra descobrir o mistério de outra pedra?

Vergílio Ferreira

imo disse...

«o homem é a medida de todas as coisas.»
é também a medida de todos os mistérios.
e é a possibilidade da existência do mistério.
há sossego na melancolia de vergílio ferreira.

│the end│

perdeste o nome como eu há muito perdera a infância. trying to stay awake noite turva pelo tamanho do medo and remember my name tentando lu...